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Trump e sua insanidade

Leia artigo de João Neutzling Jr.

Escrito por João Neutzling Jr.*13 de Ago de 2025 às 10:26
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O recente tarifaço dos EUA sob o governo Trump revela sua visão míope do mundo contemporâneo onde o processo de globalização econômico já havia ampliado os laços de comércio fortalecendo o desenvolvimento global.

Basicamente, o tarifaço trata de aumento no imposto de importação com o fim de em encarecer o preço dos produtos importados de outros países com o fim de proteger a indústria doméstica. Mas a ação trumpista carece de lógica.

Nada justifica a cobrança de 50% de tarifa do Brasil ou de 40% nas exportações do Laos, Camboja e Mianmar, por exemplo. Com o Brasil, os EUA tiveram um superávit (exportações maiores que importações) de US$ 7,4 bilhões. Até mesmo um grupo de 11 senadores democratas já se manifestou acusando Trump de abuso de poder e iniciar uma guerra comercial desnecessária.

Além disso, segundo reportagem recente da CNN, “ de 1964 a 1973, os EUA despejaram mais de 2 milhões de toneladas de bombas sobre o Laos. Mais bombas foram lançadas contra o Laos durante a Guerra do Vietnã do que sobre a Alemanha e o Japão, juntos, na Segunda Guerra Mundial. (..) Isso faz do Laos - em termos per capita - o país mais bombardeado da história”. Fato pior ocorreu com o Camboja em 1970 no governo Nixon. São países de uma economia baseada no setor primário sem muito desenvolvimento industrial. Qual sua ameaça de países subdesenvolvidos e agrários como Laos e Camboja para a economia americana?

Outra ameaça de Trump foi taxar em 10% os países que se aliarem ao BRICs. Esta instituição é composta por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, entre outros, e foi criada em 2006. Sua finalidade é promover a cooperação econômica e social entre países do sul global. Uma de suas bandeiras é criar uma nova moeda de uso universal no comércio entre as nações do terceiro mundo de modo a escantear o dólar americano. Daí o medo de Trump de ver a moeda de seu país preterida. Mas como confiar em uma moeda cujo país emissor dela tem a maior dívida pública do planeta de US$ 34 trilhões e que apresenta sérios riscos de sustentabilidade fiscal?

Outra atitude bizarra e sem razão lógica foi a retirada dos EUA, em julho, da Unesco, Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. A Unesco, criada em 1945, é um braço da ONU na área de fomento à educação principalmente em países do terceiro mundo. Realiza um trabalho notável como programa de alfabetização em populações rurais na África, entre tantos outros.

Não causa muita surpresa pois ele já havia, em seu primeiro mandato (2017-2021), retirado os EUA da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Conselho de Direitos Humanos da ONU, Pacto de Paris sobre mudanças climáticas e o acordo nuclear com o Irã, o que revela sua visão unilateral do mundo rejeitando o multilateralismo, ou seja, todos os países vivendo em colaboração mútua para o progresso mundial.
Como consequência do tarifaço, parte do excedente exportável brasileiro será desovado no nosso mercado consumidor o que, de certa forma, vai aumentar a oferta de produtos reduzindo pressões inflacionárias.
Mas até onde vai o arsenal de insanidade de Trump?
A China é que vai se aproveitar deste cenário e ocupar mais espaço na economia mundial.


* Economista, bacharel em Direito, mestre em Educação, Auditor estadual, professor e escritor. (jntzjr@gmail.com)

   

 

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